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Desde os meus primeiros tempos na criação de Periquitos (inicio da década de 1970), que tenho ouvido
falar da mutação americana, os Corpos Claros. O falecido Cein Roberts de Lacing, Sussex viu essa variedade
e iniciou um processo de importação de algumas dessas aves para o Reino Unido mas a importação nunca se
concretizou. A sua descrição mais próxima da variedade era um retrato artístico futurista de R A Vowles,
que aparecia no livro «Exhibition Budgerigars» (Periquitos de Exposição) do Dr. M. D. S. Armour.
Os Corpos Claros surgiram nos Estados Unidos da América no inicio da década de 1950. Inicialmente haviam
três tipos de Corpos Claros, mas um (Corpos Claros Terraneo) aparentemente desapareceu. Os outros dois
são os Corpos Claros do Texas, porque são originários do estado do Texas, e os Corpos Claros Easley,
já que foi C. F. Easley do estado da Califórnia que estabeleceu esta variedade. As duas variedades
diferem tanto na aparência como no modo de transmissão.
Enquanto estive na Austrália em 1994 com o falecido Mick Wheeler, estive em contacto com a versão
australiana dos Corpos Claros, em Sydney, onde me disseram que a sua existência remontava à década de 1950.
Este é um exemplo de como uma mutação tem a possibilidade de aparecer em diversas partes do mundo mais ou
menos ao mesmo tempo. A versão australiana era referida como Diluídos de Asas Cinzentas.
Os Corpos Claros do Texas é mais comum e foi a primeira a ser importada para o Reino Unido em 1989 por
Jeff Attwood e depois para o resto da Europa. A Budgerigar Society estabeleceu o seu standard de cor em 1997.
A aparência geral desta variedade em verde e azul é semelhante ao normal mas com algumas diferenças. A cor
das rémiges é cinzento pálido em vez de preto, enquanto que a cor do corpo se apresenta uma diluição em pelo
menos 50% em relação à cor normal mas com mais intensidade na parte de trás da ave entre as asas.
O modo de reprodução dos Corpos Claros do Texas está ligado ao sexo mas tem um comportamento fora do comum
quando cruzados com o factor Ino, agindo como dominante. Assim, um Ino não pode ter marcas de Corpos Claros
com acontece com outras variedades e um Periquito não pode ser portador de Corpos Claros e Ino simultaneamente
nem um Corpos Claros pode ser portador de Ino.
De seguida mostra-se uma tabela com o numero de casais que se podem formar com Corpos Claros do Texas,
apenas designados como Corpos Claros como forma de facilitar.
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Casal |
Expectativas de crias |
| 1 |
Macho Ino x Fêmea Corpos Claros |
| 50% Machos Corpos Claros/Ino |
| 50% Fêmeas Ino |
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| 2 |
Macho Corpos Claros × Fêmea Ino |
| 50% Machos Corpos Claros/Ino |
| 50% Fêmeas Corpos Claros |
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| 3 |
Macho Corpos Claros/Ino × Fêmea Ino |
| 25% Machos Corpos Claros/Ino |
| 25% Machos Ino |
| 25% Machos Corpos Claros/Ino |
| 25% Fêmeas Ino |
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| 4 |
Macho Corpos Claros/Ino × Fêmea Corpos Claros |
| 25% Machos Corpos Claros |
| 25% Machos Corpos Claros/Ino |
| 25% Fêmeas Corpos Claros |
| 25% Fêmeas Ino |
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| 5 |
Macho Normal/Corpos Claros × Fêmea Ino |
| 25% Machos Normal/Corpos Claros |
| 25% Machos Normal/Ino |
| 25% Fêmeas Corpos Claros |
| 25% Fêmeas Normal |
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| 6 |
Macho Corpos Claros × Fêmea Normal |
| 50% Machos Normal/Corpos Claros |
| 50% Fêmeas Corpos Claros |
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| 7 |
Macho Corpos Claros/Ino × Fêmea Normal |
| 25% Machos Normal/Corpos Claros |
| 25% Machos Normal/Ino |
| 25% Fêmeas Corpos Claros |
| 25% Fêmeas Normal |
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| 8 |
Macho Normal/Corpos Claros × Fêmea Corpos Claros |
| 25% Machos Normal/Corpos Claros |
| 25% Machos Corpos Claros |
| 25% Fêmeas Corpos Claros |
| 25% Fêmeas Normal |
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| 9 |
Macho Normal/Corpos Claros × Fêmea Normal |
| 25% Machos Normal/Corpos Claros |
| 25% Machos Normal |
| 25% Fêmeas Corpos Claros |
| 25% Fêmeas Normal |
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| 10 |
Macho Normal × Fêmea Corpos Claros |
| 50% Machos Normal/Corpos Claros |
| 50% Fêmeas Normal |
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| 11 |
Macho Corpos Claros × Fêmea Corpos Claros |
| 50% Machos Corpos Claros |
| 50% Fêmeas Corpos Claros |
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É impossível distinguir os Normais que são portadores de Ino dos que são portadores de Corpos Claros.
O uso do factor Ino nos cruzamentos com Corpos Claros torna a cor do corpo mais clara enquanto que o
acasalamento com normais lhe dá maior tamanho, cabeça com melhor forma, características desejáveis
para um exemplar de exposição.
Fiquei encantado de conhecer Tom Easley em 1998 no All American Show em San Diego e tive uma longa
conversa com ele sobre a variedade estabelecida pelo seu pai à cerca de 40 anos. O Sr. Easley informou-me
que o actual Corpos Claros Easley não são semelhantes à mutação estabelecida pelo seu pai. O Corpos Claros
Easley actual tem marcas negras nas asas, rémiges, cauda e spots, devido ao excesso de melanina. As manchas
da face são cinzento prateado. A cor do corpo tende a ser menos diluída do que a mutação do Texas. No entanto,
Tom Easley disse que as manchas da face do stock original era violeta pálido.
Ken Gray publicou um artigo acerca dos Corpos Claros Easley numa recente publicação na revista «Rare Variety
& Colour BS». O artigo foi baseado numa carta enviada pelo falecido C. F. Easley para o também falecido
Cyril Rogers, na qual lhe dava detalhes completos sobre esta variedade. O Sr. Easley descreveu o primeiro
Corpos Claros Easley, que surgiu no seu aviário em Janeiro de 1954, como uma femea Opalino de Asas Cinzentas
Verde Escuro com amarelo na cor do corpo. Os pais dessa ave eram um macho Opalino Verde Escuro e uma fêmea
Azul Cobalto. Quando esta fêmea foi acasalada no ano seguinte com um macho Normal Verde Escuro, apareceram
mais dois pássaros desta mutação, ambos machos, um Normal e outro Opalino. Ambos eram iguais à descrição
dos Corpos Claros Easley mas com as manchas da face em violeta pálido.
O Sr. Easley também verificou que a transmissão desta variedade é dominante e podem ser produzidos machos e
fêmeas apenas com uma ave, não havendo portadores. Devido ao gene dominante, existem aves com factor simples
e outras com factor duplo. As aves de duplo factor tendem a ter a cor do corpo mais diluída. Já vi exemplares
desta variedade na América e na Europa, embora até à data não tenha sido importada para o Reino Unido.
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