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Por ser um dos factores mais recentes a surgir nos Periquitos Ondulados e por não ser tão óbvia a sua transmissão, a genética deste factor ainda não reúne consenso entre os criadores.
Existem duas teorias distintas, uma afirmando que se trata de um factor recessivo e outra que se trata de um factor dominante.
Os cromossomas, entre outras coisas, são os responsáveis pelas variedades existentes em cada ave. Em cada cromossoma existe um par de alelos e estes podem ser diferentes ou iguais. Para cada variedade uma ave pode não ter nenhum alelo, ou caso essa variedade exista na ave, o par de alelos do cromossoma responsável por essa variedade podem ser iguais ou diferentes.
A principal diferença entre um factor recessivo e um dominante, é que, nas variedades dominantes, e ao contrário das variedades recessivas, consegue-se distinguir uma ave com um factor de outra que não tenha um factor, isto para uma determinada variedade. Num factor recessivo quando os alelos são diferentes, a ave, visualmente, é igual a uma outra que não tenha esse factor. Num factor dominante, e também quando os alelos são diferentes, a ave é visualmente diferente de outra que não tenha esse factor. Por exemplo, o factor azul é recessivo e uma ave com um só alelo desta variedade é verde. É verde portador de azul mas visualmente não se distingue de um verde que não tenha o factor azul. Uma ave para ser visualmente azul tem de ter os dois alelos iguais. Ao contrário, temos o factor cinzento, factor a que chamamos dominante e conseguimos identificar visualmente uma ave com dois alelos diferentes, ou como costumamos dizer, com um factor cinzento. Nesta variedade, o que não conseguimos diferenciar visualmente são os pássaros com dois alelos iguais daqueles que têm o par de alelos diferentes no cromossoma correspondente a esta variedade, embora existam outras variedades dominantes em que o conseguimos fazer, como o caso dos Spangle ou Perolados. Nesta variedade conseguimos identificar visualmente uma ave com um factor e outra com factor duplo, ou seja, respectivamente, com alelos diferentes ou iguais. Há quem faça a diferença entre dominante e semi-dominante, existindo semi-dominância nos casos em que distinguem as aves com um factor das aves de duplo factor.
O factor Antracite surgiu na Alemanha em 1998, sendo Hans Lenk um dos principais criadores. Este criador garante que o Antracite é um factor semi-dominante, ou seja que produz aves com um factor que são visivelmente identificáveis e outra de duplo factor diferentes das de factor simples ou com um factor. Na sua teoria, Lenk afirma que as aves Antracite de factor simples são visivelmente iguais às Azul Cobalto, com pequenas diferenças, e que as de factor duplo são as visivelmente Antracite. Por outro lado há quem garanta que a mutação é recessiva.
Em termos práticos, para obtermos pássaros Antracite, isto trata-se de uma discussão académica, já que os Periquitos que são visualmente Antracite têm os dois alelos iguais e só esses se podem chamar Antracite. Ninguém vai chamar um Azul Cobalto, Antracite, da mesma maneira que ninguém chama Azul a uma ave Verde portadora de Azul. Na realidade é que só podemos obter Periquitos Antracite através de cruzamentos de um Antracite com dois alelos iguais com outro de alelos diferentes ou entre dois Antracite com os dois alelos diferentes. Isto é o que acontece se quisermos obter pássaros azuis que é uma variedade recessiva, ou se quisermos obter Spangles de Duplo Factor que é uma variedade semi-dominante.
Em 2007 adquiri um periquito macho Antracite e uma fêmea que seria uma Antracite com alelos diferentes ou factor simples. Com este casal e segundo qualquer das teorias, as crias seriam metade visivelmente Antracite. Só que a fêmea nunca criou e tive de cruzar o macho com outra fêmea sem factor Antracite. Quem me cedeu estas aves é adepto da teoria da semi-dominância e disse-me que o melhor era cruzar os Antracite com aves Azul Celeste, porque as crias seriam todas Antracite de factor simples, ou seja visualmente Azuis Cobalto. Do mesmo modo se cruzássemos essas crias Azul Cobalto, teoricamente Antracite de factor simples, com uma ave Azul Celeste, saberíamos que as crias Azul Cobalto seriam as Antracite de factor simples, uma vez que o Azul Cobalto seria geneticamente um Azul Celeste Antracite de factor simples. Assim o fiz, acasalei o macho Antracite com uma fêmea Azul Celeste e o resultado foi 100% de crias Azul Cobalto. Ora este resultado seria o mesmo se eu cruzasse um Periquito Azul Celeste com um Azul Malva. Será que o Antracite, como o Violeta se manifesta no Azul Cobalto, se manifesta no Azul Malva?
O factor Antracite também se manifesta nos Periquitos verdes, como se pode manifestar juntamente com qualquer outra variedade. Já vi fotos em verde e em Spangle. Mas o que acontece se juntarmos o Antracite ao factor Escuro? Será que se produzirão vários tons de Antracite, ou será que o Antracite só se manifesta juntamente com o duplo factor Escuro?
No meu segundo ano da criação de Periquitos da variedade Antracite, juntei o pai com filhas, único modo de manter a variedade com as aves de que dispunha. Ainda não obtive muita informação sobre esta variedade mas já obtive uma ave Antracite e outras virão a aparecer pelo mesmo processo. Os cruzamentos feitos ou a fazer nesta altura, serão sempre de Antracite com Azul Cobalto, já que todas as crias da primeira geração são Azul Cobalto. Através da teoria da transmissão recessiva eu obteria aves Antracite, Azuis Cobalto e Azuis Malva, sendo estas duas últimas, portadoras de Antracite. Pela teoria da semi-dominância, eu só posso obter crias Antracite e crias visivelmente Azul Cobalto. Até agora só obtive crias Azul Cobalto e Antracite, pelo que não contradiz nenhuma das teorias. Só irá contradizer a teoria da semi-dominância se surgirem Aves Azul Malva ou Antracites com diversos tons. Para já há que aguardar para que possa ter aves em maior número porque só tendo-as em grande número é que se pode chegar a conclusões acertadas. Nunca nos deveremos esquecer que as probabilidades são probabilidades e não certezas quanto a números e que percentagem quer dizer um determinado número em 100 e é muito difícil obterem-se os mesmos resultados com um número pequeno de aves. Já passei por uma experiencia em que Verde/Azul cruzado com Azul, donde se esperaria 50% de aves azuis e 50% de aves verdes, onde as primeiras 9 crias foram verdes, só aparecendo a 10ª em Azul.
Outra coisa que também não consigo, e ao contrário do que diz Hans Lenk, é ver qualquer diferença entre um Azul Cobalto sem factor Antracite e uma ave a que chamam Azul Cobalto visual e que na realidade seria Antracite de factor simples.
Serão questões a que vou estar atento e que irei dar conhecimento à medida que eu próprio irei ter certezas com o decorrer das criações com aves desta nova variedade.
Por fim, aqui ficam uma foto de um Periquito macho adulto Antracite com anilha de um criador Alemão e duas com a minha primeira cria Antracite, fêmea com um mês de idade.
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