|
|
Variedades de Periquitos Ondulados
|
| |
|
Desde que os Periquitos Ondulados começaram a ser criados em cativeiro, surgiram e conseguiram-se fixar
bastantes variedades destas aves que, se combinadas entre si, dão origem a um vastíssimo leque de cores e
formas diferentes. Neste artigo são focadas as variedades existentes de uma forma muito resumida.
|
| Diferenças quanto à forma |
|
Existem algumas variedades que se distinguem pelo desenho da ave que é visível no dorso do Periquito. Essas
variedades são o Normal, que é o desenho do Periquito Ondulado original que se caracteriza pelas riscas
onduladas pretas e amarelas ou pretas e brancas no dorso. Outra variedade muito popular é o Opalino que se
caracteriza pela diminuição da melanina e consequente diminuição da intensidade das riscas e pela substituição
da cor amarela ou branca no dorso pela cor do verde ou azul da ave. Essa diminuição é mais notória na nuca.
Nas asas as rémiges e cauda têm uma risca amarela ou branca. Existe uma outra variedade mais recente que se
chama em inglês Saddleback que é semelhante ao Opalino mas mantendo o amarelo ou branco nas costas e sem a
risca clara nas rémiges e cauda que caracterizam o Opalino. Existe também uma mutação recente que traz um
desenho novo aos Periquitos que se chama Spangle, Perolado ou Cintilante. Esta variedade caracteriza-se por
uma diminuição ainda mais acentuada da melanina, tornando a ave bastante mais clara no dorso. Nesta variedade,
comparando-a com a variedade Normal, nas penas com a cor preta, o preto é substituído por um contorno a preto,
ficando o resto da pena amarela ou branca. Essa característica é bem visível na 4ª ave se a compararmos com a
1ª das figuras que se apresentam mais em baixo. Os próprios spots na máscara no Spangle em vez de serem pretos
são amarelos ou brancos com uma orla preta.
A variedade Opalino tem transmissão ligada ao sexo, a Saddleback é recessiva e a Spangle é dominante.
Com a excepção da variedade Normal que é a ausência de variedades, todas as outras se podem combinar entre si,
sendo as aves com as variedades Spangle e Opalino em simultâneo, relativamente fáceis de encontrar.
Nestas figuras podemos ver as diferenças quanto ao desenho das marcas nas variedades Normal, Opalino,
Saddleback e Spange, da esquerda para a direita.
|
| Diferenças quanto às cores |
|
Outras variedades têm a ver com a cor e o seu escurecimento. A cor do Periquito original é verde claro.
Quando um Periquito é verde, tem o corpo verde, a fronte e mascara amarelas e as riscas são pretas e amarelas.
Existe uma mutação que apareceu mais tarde que é o Azul. O Azul é uma ave semelhante ao Verde sem o pigmento
amarelo, ficando Azul no corpo, branco na fronte e máscara e as riscas em preto e branco. Todos os Periquitos
ou pertencem ao grupo verde ou pertencem ao grupo azul. A mutação Azul é recessiva em relação à Verde.
Dentro das cores surgiu uma outra mutação que tem a ver com o escurecimento da cor. Essa variedade é dominante
e com factor simples dá origem ao Verde Escuro e Azul Cobalto e com factor duplo dá origem ao Verde Azeitona
e ao Azul Malva, isto se considerarmos uma ave verde ou azul, respectivamente.
Existem outras variedades ligadas à cor como o Cinzento, que se caracteriza pelo cinzento do corpo e pelo
escurecimento das riscas no dorso. O factor Cinzento pode existir nos pássaros e azuis e nos verdes, dando
origem aos Cinzentos se a ave pertencer ao grupo azul e Verdes Cinzentos, se pertencer ao grupo verde. O
cinzento pode ter várias intensidades consoante a ave tenha ou não factor escuro ou ainda se for de factor
escuro duplo. Por exemplo a intensidade do cinzento vai aumentando gradualmente se aliada a um pássaro azul
celeste, azul cobalto ou azul malva.
A variedade Violeta só é mais notada se aliada ao Azul Cobalto, ficando o corpo com uma linda cor violeta.
Nas outras cores é difícil distingui-la, ficando o violeta das manchas da face mais vivo.
O Cinzento e o Violeta são variedades dominantes, não se distinguindo os de factor simples dos de factor duplo.
Nestas figuras podemos ver um Periquito Azul Celeste, um Azul Cobalto e um Azul Malva. Seguidamente um Periquito
Violeta, um Verde Claro e um Verde Escuro Cinzento, todos na variedade Normal.
|
| Diminuição da intensidade das marcas |
|
Existem variedades que se caracterizam pela diminuição da intensidade das marcas e das cores. À medida que
intensidade é muito baixa a cor verde tem tendência a desaparecer ficando apenas o amarelo. Do mesmo modo a
cor azul tende para o branco.
A variedade mais comum neste grupo é o Canela. Esta variedade caracteriza-se pela diminuição da intensidade
das marcas do dorso e da cor em cerca de 50%, ficando as marcas canela em vez de preto e o verde ou o azul
bastante mais claros. O factor Canela é ligado ao sexo.
Uma variedade semelhante à Canela é a Fallow. A grande distinção tem a ver com a cor dos olhos, já que são
vermelhos. Existem dois tipos de Fallow, o Inglês e o Alemão e a única diferença entre eles é a íris dos olhos.
No primeiro caso apresenta a íris rosa e o segundo possui a íris branca. É uma variedade recessiva.
Outra variedade que se caracteriza pela diluição das marcas são os Diluídos ou Amarelos e Brancos. A diluição
das cores é ainda maior do que nos Canela ficando o verde muito claro, quase amarelo e o azul quase branco.
As marcas são bastante diluídas embora se notem bastante bem. É, também, uma variedade recessiva.
Os Asas Claras apresentam uma diluição nas asas e costas muito superior à registada no resto do corpo. Tem as asas,
cauda e dorso semelhantes aos Diluídos mas no resto do corpo a diluição não deve ultrapassar os 10%, ficando o
corpo escuro e as asas e dorso claros. É, também, uma variedade recessiva.
Os Asas Cinzentas são semelhantes na cor do corpo aos Asas Claras mas as asas e dorso são cinzentas.
São, também, recessivos.
Os Corpos Claros são ao contrário dos Asas Claras, tendo a mesma intensidade das marcas do dorso, asas e cauda
semelhantes aos Normais mas a cor do corpo muito mais clara. Existem duas variedades de Corpos Claros, Texas
e Easley, sendo a primeira ligada ao sexo e a segunda dominante. Os Corpos Claros do Texas são dominantes em
relação ao factor Ino. Nestes a intensidade das marcas das asas vai diminuindo desde os ombros até às rémiges,
enquanto que na outra variedade a intensidade é semelhante.
O factor Ino caracteriza-se por aves Amarelas ou Brancas com olhos vermelhos. É a diluição levada ao máximo mas
considero diluição porque perto da ave consegue-se ver o desenho das riscas, podendo-se saber se é Normal,
Opalino ou Splangle. O factor Cinzento também se faz notar na intensidade e brilho da cor do corpo, bem como
o factor escuro. Os amarelos chamam-se Lutinos e os brancos Albinos e a sua transmissão está ligada ao sexo.
O Lacewing ou asas de renda é semelhante ao Ino mas com marcas canela nas asas, dorso, cauda e spots, sendo o resultando do cruzamento do factor Canela com o factor Ino. Também têm olhos vermelhos e como os factores Ino e Canela são ligados ao sexo, esta
variedade transmite-se do mesmo modo.
Da esquerda para a direita, mostram-se um Periquito Canela Cinzento, um Fallow Alemão
Verde Claro, um Diluído Amarelo, um Asas Claras Azul Celeste, um Corpos Claros do Texas Cinzento, um Lutino
e por fim um Lacewing Verde.
|
| Aumento na intensidade das marcas |
|
Existem outras variedades que se caracterizam pelo aumento da melanina, aumentando a intensidade
das marcas e das cores. São variedades não muito vistas.
O Slate ou Ardósia é uma dessa variedades, fazendo com que as penas pretas do dorso sejam mais carregadas.
Como podemos ver na foto da direita,
a cor do corpo também é mais escura ficando com um tom próximo do cinzento. É uma variedade
ligada ao sexo.
O Antracite, na foto à esquerda, é uma variedade muito recente e é a mais escura de todas as
variedades, aproximando-se as cores mais do preto. É uma variedade recessiva.
|
 |
 |
|
| A ausência de marcas |
|
Existem outras variedades que se caracterizam pela total ausência de quaisquer marcas em parte ou na totalidade
das suas penas.
Os malhados ou arlequins são um exemplo disso. Nas partes do corpo sem marcas a cor fica amarela ou branca sem qualquer tipo
de marca, mesmo aquelas que podemos observar nos Lutinos e Albinos. Em qualquer destas variedades é impossível
encontrar duas aves iguais porque existe sempre um factor aleatório relativamente ao local onde a ausência de
marcas surge. Existem quatro tipos de arlequins, sendo um recessivo e os outros dominantes. Os Arlequins Recessivos
ou Dinamarquês têm a cera mais clara, ao contrário dos outros e normalmente as partes claras surgem nas asas
aleatoriamente e sobretudo no peito e nuca. Os Arlequins Australianos devem ter uma mancha na nuca, uma risca
horizontal sobre o peito, a cauda deve ser clara. Nas asas só os ombros têm marcas. Nos Arlequins Holandeses
existe uma mancha na nuca, a cauda e rémiges são claras e têm uma pequena mancha clara no papo. A última
variedade de arlequins são os Rémiges Claras e possuem apenas uma mancha clara na nuca, as rémiges e a cauda claras,
tendo, no resto do corpo, as marcas normais.
Existe um tipo de arlequim, o Mottle, que nasce sem ausência de malhas mas que ao longo das mudas de pena que vai
efectuando, vão-lhe aparecendo zonas com ausência de marcas até as perder todas completamente.
Se se juntarem num Periquito os factores Arlequim Dinamarquês e o Rémiges Claras, obtém-se uma ave totalmente
amarela ou branca sem qualquer tipo de marcas, com a cera mais clara e com olhos e íris
pretos, como acontece nos Arlequins Dinamarqueses.
Existe outra variedade que dá origem a uma ave totalmente amarela ou branca com os olhos pretos, íris branca e
com uma cera normal. Desta variedade já se falou anteriormente e é nada mais que o Splangle de duplo factor.
Apesar desta variedade com factor simples ter marcas bem visíveis, as de duplo factor não possuem quaisquer
tipo de marcas, embora, por vezes, estas aves apresentem penas verdes ou azuis espalhadas pelo corpo.
Da esquerda para a direita, surge um Periquito Arlequim Dinamarquês Azul Cobalto, um Arlequim Australiano Azul
Celeste, um Arlequim Holandês Verde escuro, um Rémiges Claras Azul Celeste e, por fim, um Spangle Azul de
duplo factor.
|
| O factor Face Amarela |
 |
 |
Existe uma variedade que junta o amarelo ao azul a que se chama Face Amarela. Existem três tipos
de Face Amarela, todos eles de carácter dominante. O Face Amarela caracteriza-se pela substituição
do branco na fronte e mascara por amarelo claro no tipo I, mais escuro no tipo II e semelhante ao
amarelo dos pássaros verdes no tipo III. Nos tipos II e III com Face Amarela de factor simples, o
amarelo estende-se por todo o corpo, ficando o azul esverdeado ou mesmo verde no caso do tipo III.
Um Verde Claro é difícil de distinguir de um Azul Celeste Face Amarela tipo III de factor simples.
O Face Amarela de duplo factor não é visível, só sendo visível nos tipos II e III na mascara e fronte,
pelo que em exposição só são admitidos Face Amarela tipo I de factor simples e Face Amarela de duplo
factor de tipo II e III. O Face Amarela também existe nas aves verdes, tornando o amarelo da fronte
e mascara mais intenso.
|
|
|
Da esquerda para a direita, temos um Periquito Azul Face Amarela tipo I de factor simples e outro
Azul Spangle Face Amarela Tipo III de factor duplo.
|
| Alterações na plumagem |
|
Nestes casos temos os Periquitos de Poupa que podem ter um tufo, uma popa semicircular ou uma
poupa circular. O factor poupa é dominante e pode estar aliado a qualquer outro factor existente nos
Periquitos.
Existe ainda uma variedade não reconhecida mas muito apreciada no Japão que é conhecida por Frisado
Japonês que, para além da alteração na plumagem na cabeça, produz também alteração nas asas junto
aos ombros.
À esquerda surge um Periquito de Poupa Normal Azul Malva, enquanto que à esquerda se apresentam
duas crias Frisado Japonês.
|
 |
 |
|
| Conclusão |
|
Este artigo pretende dar uma ideia geral sobre a quase totalidade das variedades existentes actualmente,
podendo ser consultadas individualmente na rubrica variedades ou genética deste sitio.
Este artigo foi escrito para ser publicado na
edição nº 2 da revista on-line Argentina
Aves Magacin de Agosto de 2007,
à qual desejo o maior sucesso.
|
| Autor: José Paulo Correia |
|
|
|