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A genética da variedade dos Periquitos de poupa tem sido envolta nalgum mistério até há pouco tempo. Para além
da existência de diversos tipos de poupa e das questões ligadas à obtenção desses diferentes tipos, a genética
da variedade poupa era julgada como algo parecido com o dominante mas com uma variante algo estranha e pouco
explicada. Há pouco tempo estive numa conferencia dada por Ghalib Al Nasser, onde ele explicou que o factor
poupa é dominante mas quando cruzados com filhos de poupa existem mais crias com poupa, não podendo ser estes
últimos chamados portadores de poupa, já que se trata de uma variedade dominante. Os ingleses chamam aos
periquitos de poupa Visual Crests e aos filhos de poupas, Crestbred. Isto é parcialmente verdade porque nem
todos os filhos de pássaros de poupa são Crestbred.
Existe uma nova teoria baseada em registos de centenas de periquitos de poupa. Esta teoria justifica que se fale
em portadores de poupa, apesar de não existirem portadores. O que se passa é que esta variedade dominante tem
uma característica peculiar dentro dos dominantes. Não é caso único. Os Spangle de duplo factor são diferentes
do Spangle de factor simples, sendo totalmente amarelos ou brancos. O Cinzento de duplo factor não se distingue
do de factor simples. O Face Amarela tipo I de duplo factor não se distingue de um Periquito sem factor Face
Amarela. O factor poupa de duplo factor também não se distingue do de poupa de factor simples.
Mas a teoria mais recente sobre o factor poupa é que as aves de factor simples podem ou não apresentar poupa,
apesar de geneticamente a terem. Esta teoria apoia aquilo que o Sr Ghalib explicou na sua conferência realizada
em Portugal relativamente à existência dos Crestbred. Vou explicar esta teoria comparando esta variedade com a
variedade Cinzento. Um Cinzento cruzado com outro Cinzento produzem 75% de crias cinzentas, se considerarmos
que ambos os progenitores são de factor simples. Se cruzarmos um periquito cinzento com um não cinzento essa
percentagem de crias é de 50%, inferior à do exemplo anterior. Ao passarmos esta teoria para o factor poupa,
se acasalarmos um periquito de poupa com um outro com o genes de poupa embora ela não seja visível, a que os
ingleses chamam Crestbred, a percentagem é superior do que se acasalarmos um de poupa com um outro sem esse
factor, já que são ambos poupa com factor simples. Neste caso a percentagem de crias com poupa é exactamente
igual se ambas os pais tivessem poupa visível com factor simples, já que geneticamente um Visual Crest é igual
a um Crestbred, embora a aparência não o seja.
Nesses estudos recentes, verificou-se que um pássaro de factor simples com o gene poupa só apresenta realmente
poupa numa percentagem que varia entre os 15% e os 20%. Partindo de uma percentagem média de 17,5% e usando o
exemplo anterior, o cruzamento de dois Periquitos de poupa de factor simples, apresentando ou não poupa, as
crias com factor duplo de poupa serão de 25%, de factor simples são 50% e os restantes 25% não têm factor poupa.
Se os de duplo factor têm de certeza poupa, só 17,5% dos de factor simples vão apresentar poupa, ou seja 50%
vezes 17,5% que dá uma percentagem de aproximadamente 8%. No total existirão 33% de aves com poupa (25% + 8%)
e 67% de aves sem poupa. Geneticamente, e relativamente aos pássaros de poupa 25% são diferentes dos outros
8%, uma vez que os primeiros são de duplo factor e ou outros são de factor simples. Os que não mostram a poupa
também não são iguais, já que 25% não têm o factor poupa e os restantes 42% são geneticamente periquitos de
poupa com factor simples. Isto torna tudo muito complicado porque não podemos saber quais são os pássaros de
duplo factor nem conseguimos saber quais são aqueles que apesar de não terem poupa, geneticamente a têm. Assim,
verifica-se a teoria do Sr. Ghalib quando ele diz que se cruzarmos Visual Crests com Crestbred se obtém maior
percentagem de Visual Crests, embora nem todos os filhos de Visual Crests são Crestbred.
A teoria na qual um poupa com factor simples pode ou não apresentar poupa, explica como podem nascer pássaros
de poupa filhos de pássaros que a não tenham, visualmente falando. Se um cinzento cruzado com um normal apresenta
50% de crias cinzentas, um pássaro de poupa, visual ou apenas genético, com um normal tem crias de geneticamente
de poupa na mesma percentagem, embora ela só se veja em 8% das crias (metade de 17,5%). Neste caso, metade das
crias são normais não se distinguindo dos outros 42% de crias sem poupa mas geneticamente de poupa.
Se falarmos apenas na aparência das poupas, elas podem dividir-se em complexas e pouco complexas. Nas complexas
incluem-se as circulares e semicirculares, enquanto nas pouco complexas se incluem os tufos e pequenos tufos
que podem aparecer na cabeça e na nuca.
Qualquer tipo de poupa pode dar origem a outro tipo de poupa diferente. Assim, um pássaro de tufo pode dar origem
a um pássaro de poupa circular e vice-versa. Quanto maior for a percentagem prevista de crias de poupa maior
será a probabilidade de haverem mais crias de poupas complexas, enquanto se preverem poucas crias de poupa,
essas crias terão uma maior incidência de poupas menos complexas.
Outro aspecto a ter em conta é a obtenção de pássaros de qualidade de exposição. O criador deve ter o propósito
de ter periquitos de poupa em quantidade e de ir melhorando a qualidade. Para obter uma maior quantidade de
periquitos de poupa é tentar cruzar periquitos de poupa com periquitos de poupa quer geneticamente quer
visualmente. Neste caso não se melhora grandemente a qualidade. Para obter Periquitos de poupa de qualidade,
devem-se cruzar os melhores periquitos de poupa de duplo factor com bons periquitos normais, obtendo-se
periquitos de poupa de factor simples de melhor qualidade e depois cruzar essas crias de melhor qualidade com
os melhores periquitos de poupa, aumentando-se assim, gradualmente, a qualidade dos periquitos de poupa.
Criar periquitos de poupa implica muita persistência, bons registos das criações e é um desafio bastante aliciante,
quando o objectivo é obter cada vez melhores pássaros em cada variedade, especialmente em variedades mais
difíceis.
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