Periquitos Ondulados
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A criação de Arlequins Dinamarquês de qualidade

Por Ghalib Al-Nasser

 

Nenhuma outra variedade rara fez tantos progressos nas últimas duas décadas como o Arlequim Dinamarquês, conhecido também como Arlequim Recessivo. O avanço conseguido por esta variedade é provavelmente mais bem ilustrado através da comparação dos registos das exposições da Budgerigar Society (BS) ao longo dos anos.

Em 1973 na exposição da BS, expus, como iniciado, um Arlequim Recessivo adulto e uma ave do ano. Naquela época havia uma classe para a machos e fêmeas e somente um prémio, Challenge Certificate (CC). Ganhei o CC e o Melhor Arlequim Recessivo da exposição com a ave do ano. Haviam sete aves expostas na classe de adultos e seis na classe do ano de seis expositores. A secção de criador campeão foi mal representada por três aves na classe de adultos e por cinco na classe de aves do ano. Apenas dois criadores expuseram nesta secção.

Quando ganhei o prémio Adulto CC e o Melhor Arlequim Recessivo em 1987, como criador campeão, (tendo também ganhado CC´s nesta variedade em 1977, 78, 83, 84 e 85) havia 29 aves na classe de machos e 12 aves na classe das fêmeas. Haviam 16 expositores apenas na secção de campeões. A secção de iniciados não estava tão bem representada como a secção de campeões mas estava melhor do que em 1973 com 9 e 5 aves adultas machos e fêmeas, respectivamente, enquanto as classes do ano tinham 14 e 7, respectivamente. O total de expositores nesta secção eram 7.

Em 1990 quando eu ganhei o CC e o Melhor Arlequim Recessivo da exposição na classe de machos adultos, a estatística era semelhante à de 1987.A secção de campeão teve 71 aves, enquanto que a secção de iniciados teve 20 aves de 7 criadores.

Estas comparações, indicam claramente o avanço anteriormente mencionado. Voltando atrás aos meus anos iniciais com esta variedade, os criadores em geral fazem os seus comentários joviais e depreciativos para com aqueles poucos que se especializaram e devotaram os seus recursos ao avanço desta variedade. Porque é bem aceite que qualquer criador que crie e exponha variedades menos vistas se torne «especialista», então eu alguns outros, como os meus dois amigos Jim Rowe e Mike Ingham, somos conhecidos com criadores especialistas em Arlequins Recessivos e competimos uns contra os outros em muitas exposições desde então. Actualmente, o cenário é completamente diferente, com muito mais expositores nesta variedade, em todas as secções. Ainda somos chamados «especialistas» mas agora têm-se juntado a nós muitos mais. Outro um facto que vale a pena mencionar é que, passados 15 anos, nós os três ainda dominamos esta variedade em que Jim ganhou a exposição da BS 1986, Mike em 1988 e eu em 1987 e em 1990.

 

História

 

O aparecimento de diferentes formas de Periquitos com malhas remonta aos anos 1920. Contudo a primeira mutação de Periquitos Arlequim a ser estabelecida foi o Arlequim Recessivo Dinamarquês, surgindo na exposição de Copenhaga em 1932 um macho verde e amarelo.

Os primeiros pássaros desta variedade chegaram ao Reino Unido em 1948 quando Cyril Rogers provenientes de Herr C. af Enehjelm, que era naquele tempo tratador do jardim zoológico de Helsínquia na Finlandia. Cyril exibiu esta variedade, pela primeira vez, numa exposição em Cambridge em 1950.

Estes pássaros são muito coloridos e geralmente é o contraste das suas cores que atrai o criador médio. Sendo uma mutação recessiva, é mais difícil produzir com o padrão de exposição. A incorporação da multiplicidade dos genes que formam uma ave de topo com uma ave recessiva é ainda mais estimulante do que combinar essas mesmas características com uma variedade dominante.

 

Genética

 

O Arlequim Dinamarquês é recessivo em relação ao Normal, onde Normal aqui significa um Periquito que não é Arlequim Recessivo. Assim, apresenta-se uma tabela com as expectativas de crias com casais Arlequins Recessivos, independentemente da sua cor ou sexo:

  Casal Expectativas de crias
1 Arlequim Recessivo × Normal 100% Normal/Arlequim Recessivo
2 Arlequim Recessivo × Normal/Arlequim Recessivo
50% Arlequim Recessivo
50% Normal/Arlequim Recessivo
3 Arlequim Recessivo × Arlequim Recessivo 100% Arlequim Recessivo
4 Normal/Arlequim Recessivo × Normal/Arlequim Recessivo
25% Arlequim Recessivo
50% Normal/Arlequim Recessivo
25% Normal
5 Normal/Arlequim Recessivo × Normal
50% Normal/Arlequim Recessivo
50% Normal

 

Nalguns casos os Normais/Arlequim Recessivo têm duas ou três penas amarelas ou brancas na nuca. Os criadores especialistas em Arlequins Recessivos depressa aprenderam que o única forma de obter progressos com esta variedade é cruzar o melhor Arlequim Recessivo com a melhor ave normal, mesmo que seja um Opalino com fleck, desde que tenha um bom tamanho. Obter-se-ão portadores, chamados primeiros portadores, de boa qualidade para cruzar com Arlequins Recessivos, obtendo-se Arlequins Recessivos na época seguinte.

Eu usei casais apenas com as linhas 1 e 2 da tabela anterior. Cedo entendi que a única maneira de progredir com esta variedade era cruzá-los com os melhores normais. Também pensei usar a linha 3, com casais de Recessivos, que, sendo uma perca de tempo em termos de qualidade, é ideal para a quantidade. Entretanto em 1988, tinha um stock pequeno de fêmeas portadoras de Recessivo para acasalar com machos Recessivos. Uma fêmea portadora que estava acasalada com o meu campeão de 1987 morreu com um ovo atravessado e fui obrigado a acasalá-lo com uma fêmea Recessiva. Obtive 2 machos Recessivos na primeira ninhada e 1 na segunda. Um dos 2 primeiros revelou-se num bom pássaro para esta variedade, enquanto os outros dois eram mais fracos.

Quando se fazem casais com a linha 4, os criadores consideram que a qualidade dos seus portadores é superior à dos seus Arlequins Recessivos. É quase necessário sair o jackpot para se obter um exemplar aceitável desta variedade. No entanto, os 75% de não Recessivos que se obtêm acabam nas lojas de animais.

Os casais da linha 5 são uma perca de tempo, na minha opinião. Virtualmente não pode ser atribuído nenhum mérito a este tipo de acasalamento, devido à dificuldade em distinguir os normais dos portadores.

 

Características

Vamos examinar mais detalhadamente as características desta variedade. Em primeiro lugar vamos considerar o Standard de Cor da Budgerigar Society do Arlequim Recessivo Verde Claro, que foi actualizado em 1994.

Máscara

Fundo amarelo, ornamentado com seis spots grandes e espaçados, quando presentes. Os dois sptos superiores, caso existam, devem estar parcialmente cobertos pelas manchas da face. A fronte deve ser totalmente amarela sem quaisquer marcas.

Manchas da face

Violetas, brancas prateadas ou uma mistura de ambas.

Cor do corpo

Manchas irregulares de um amarelo claro e verde claro, cor de relva, sendo a parte inferior predominantemente verde.

Marcas na cabeça, pescoço e asas

Devem ser pretas onduladas sob amarelo, distribuídas aleatoriamente, devendo, as asas terem marcas cobrindo entre 10 e 20% da área total das asas.

Rémiges

Amarelas, podendo haver penas escuras sem serem penalizados.

Penas primárias da cauda

Amarelo Claro, malhadas ou azul escuro.

Cera

Cor de rosa carregado nos machos e castanho nas fêmea.

Bico

Laranja.

Patas e pernas

Cor de rosa.

Olhos

Escuros sem a íris clara

 

A ausencia da íris dos olhos é a única maneira de distinguir os Arlequins Recessivos dos Arlequins Dominantes ou Rémiges Claras com poucas marcas.

 

Alterações ao standard

Gostava de ver alteradas duas regras no stardard de cores da Budgerigar Society.

Uma tem a ver com as marcas nas asas que devem cobri-las entre 15 e 20%. Os criadores destas aves concordarão comigo que é quase impossível garantir esta percentagem, especialmente nas fêmeas que têm tendência a ter mais marcas escuras. Provavelmente 30% seria um valor mais realista.

Outra falta com esta variedade e a qualidade da cabeça. É uma característica desta variedade a pequenez das suas cabeças. Poderá dizer-se que é devido a ser uma variedade recessiva mas os diluídos também o são e as suas cabeças são iguais às dos normais.

Este facto não deve condicionar os especialistas nesta variedade no sentido de pensarem que chegaram ao fim da estrada no avanço desta variedade. Eu espero que não...

 

Escala de pontos da BS
Tamanho, forma, e posição Tamanho e forma da cabeça incluindo máscara e spots Cor Marcas da variedade
35 25 15 25 Pontos pelo contraste das cores, disposição das malhas e % de marcas escuras nas asas.
Fotografia de um Periquito Arlequim Dinamarquês Azul Cobalto. Esta ave pertencente a Bisell e Al-Nasser, teve bastantes prémios em exposições, inclusivamente a Melhor Ave Malhada Recessiva em 1984 na Budgerigar Society Club Show e o Melhor Arlequim em 1985 na Budgerigar Society Club Show. Ainda é uma referencia actualmente. Foi também o Melhor Arlequim Recessivo em 1985 na Budgerigar Society Convention

 

Autor: Ghalib Al-Nasser Tradução: José Paulo Correia

 

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