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| Inbreed—Bênção ou Maldição? |
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O inbreed é um assunto que não é muito agradável às emoções dos seres humanos. Associamos imediatamente
a este assunto, o incesto e as leis governamentais com ele relacionadas. É possível que alguma aversão
ao inbreed provenha da inibição nos mamíferos para o acasalamento entre pais e filhos e entre irmãos.
O inbreed não é nenhum toque de magia e o criador de Periquitos de exposição tem de ter em mente que
existem prós e contras no seu uso. Por um lado ouve-se e lê-se que um criador só pode conseguir as
características desejadas no seu plantel de pássaros através do inbreed, mas por outro lado, há a voz
interna de advertência. Pode-se ler um artigo numa revista que é recomendado vivamente não usar o
inbreed, especialmente se não se tem muita experiência, só podendo fazer uso desta técnica criadores
muito experientes. No entanto, na mesma revista, poderemos encontrar artigos afirmando que se deve
ter um plantel com a mesma linha e que isso só pode ser conseguido através do acasalamento de aves
do mesmo sangue. A contradição destes argumentos deve ter um efeito muito desconcertante num criador
inexperiente. Não é agradável ouvirmos comentários, tais como «o incesto nos seres humanos é rejeitado
e proibido, consequentemente eu não o pratico nos meus pássaros». Se humanamente é um pensamento
correcto, para a criação de Periquitos pode não ser o mais indicado.
O inbreed não é uma invenção dos criadores de Periquitos, é um processo usado na criação de qualquer
animal, sejam Periquitos, cavalos, vacas ou outros animais criados em cativeiro que tenham diferentes
raças. No caso dos Periquitos conseguiu-se tornar a ave numa ave com melhor posição, mais harmoniosa e maior.
Neste artigo foca-se o problema do inbreed em Periquitos de exposição, sem discutir teorias científicas
complicadas, as quais dissuadem frequentemente os leitores da própria leitura.
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| O QUE É O INBREED? |
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Inbreed é um termo inglês usado para definir um modo de acasalamento de animais que consiste em obter
crias cujos pais e mães têm antepassados comuns, fazendo com que as características das aves comuns
aos dois elementos do casal se salientem nas crias. Por vezes a diferença reside nos graus de inbreed,
de acordo com a proximidade das aves. Sem se o usar o inbreed tenta-se desenhar uma ligação entre aves
diferentes que não nos leva basicamente a lugar nenhum, não se conseguindo fixar uma característica,
inclusivamente as diferentes mutações na cor que vão surgindo.
Alguns leitores poderão pensar nas más concepções provocadas pelo inbreed e que é um método projectado
pelo Homem para conseguir os seus objectivos egoístas com o fim de produzir animais e plantas. Existem
mesmo alguns livros que afirmam que o inbreed dá sempre maus resultados na natureza. Isto é absolutamente
falso. Não só um terço das plantas de cultura, como muitas plantas selvagens, são auto reprodutoras através
da auto polinização. Ora isto é o incesto no sentido mais puro. Muitos híbridos no mundo animal praticam
a auto fertilização. Os animais que vivem numa ordem social mais elevada têm uma inibição natural ao
inbreed, que é limitado principalmente aos pais e aos irmãos, mas acasalando entre indivíduos relacionados,
ou seja, do mesmo grupo.
No entanto, outros mecanismos asseguram que hajam trocas entre indivíduos de diferentes grupos, para que
seja continuamente introduzido sangue novo. Na criação de Periquitos, os criadores também recorrem a este
método, permitindo a inserção de sangue novo no grupo formado pelas suas aves. A este processo, os
criadores ingleses chamam outcrossing.
Pretende-se provar que o inbreed não é um processo anti natural e que não é moralmente censurável.
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| O PAPEL DO INBREED NA CRIAÇÃO DE PERIQUITOS DE EXPOSIÇÃO |
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Como se desenvolveram as primeiras aves de exposição? É uma história começada antes da 2ª guerra mundial
em Inglaterra, onde, depois dela, apenas algumas aves sobreviveram e se tornaram nos Periquitos
ancestrais de todos os Periquitos de exposição existentes actualmente na Europa e espalhados por
quase todo o mundo. O sucesso das exposições só foi possível através do inbreed. Apenas deste modo
se conseguiram fixar novas mutações e fixar combinações genéticas e reproduzi-las rapidamente. Mesmo
para fixar novas mutações é necessário recorrer-se ao inbreed, pois se essa mutação for recessiva,
sem o seu uso ela não pode ser fixada, acabando por se perder. Uma determinada característica de uma
ave que se quer perpetuar, deve ser encarada como uma mutação recessiva e ser usado o inbreed.
A melhoria da qualidade dos Periquitos de exposição é, e será sempre, um processo contínuo que não
pode ser tratado sem o uso do inbreed.
O efeito do inbreed provoca normalmente que o relacionamento entre as aves seja próximo, o que implica
que as características de um plantel sejam mais uniformes. O criador realiza uma selecção entre as
suas famílias de aves, sendo excluídos os de mais baixa qualidade, ficando apenas os melhores.
Aparte de tudo isto, cada região tem um ou mais criadores de sucesso cujas aves são muito procuradas.
Em qualquer lugar existem fornecedores conhecidos de aves para outcrosses, que criam as aves pelos
mesmos processos, pelo que existe uma tendência para uma uniformidade das características numa exposição.
É, portanto, utópico acreditar que um criador poderia partir do zero, isto é, com aves geneticamente
diferentes. Isto, de facto, nunca pode ser praticado. Um novo criador compra um ou dois casais a um outro
criador, devendo-se certificar-se do seu grau de parentesco. Contudo, se forem consultados todos os registos
das criações, serão com toda a certeza encontrados nos seus antepassados algumas aves comuns em cada individuo.
Mesmo os criadores que dizem não utilizar o inbreed, as suas aves têm parentes comuns ou provêm de aves com
antepassados comuns, ou seja é um erro pensar que ele nunca é usado, mesmo que não seja propositadamente ou
muito próximo.
Na realidade isto significa que produzir pássaros de exposição sem inbreed não é praticável. O criador
pode apenas determinar o grau de inbreed que acha ser razoável. Entretanto, deve manter um registo das
criações exacto, a menos que tenha uma memória fenomenal. Diz-se que há criadores que memorizam o
parentesco dos seus pássaros até 3 gerações, mas é muito difícil acreditar numa situação dessas.
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| EFEITOS NEGATIVOS DO INBREED |
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Até agora, temos falado apenas sobre a necessidade do inbreed em produzir aves de qualidade de exposição.
É tempo de ver os perigos relacionados com o inbreed. Os efeitos negativos do inbreed compreendem um
conjunto de problemas que ocorrem muito frequentemente em consequência do inbreed próximo durante
diversas gerações.
Os exemplos destes efeitos são a diminuição da fertilidade, a diminuição da resistência às influências
climáticas e às doenças, problemas de crescimento, diminuição do tamanho e uma esperança de vida mais
curta. Todos estes sintomas não ocorrem necessariamente ao mesmo tempo, mas quanto mais próximo for o
grau do inbreed, mais provável é o aparecimento de sintomas de degeneração. No entanto, estes efeitos
negativos não têm necessariamente que ocorrer em muitos casos. Tudo depende da combinação genética dos
pássaros originais com que o inbreed foi começado. Os animais selvagens, neste caso, têm um ponto de
partida muito melhor do que os animais domésticos, que estiveram ao cuidado do homem durante milhares
dos anos. A razão para este facto é que os animais selvagens se têm submetido já a uma selecção natural
muito severa. Uma vez que os Periquitos são um animal doméstico relativamente novo, estavam numa posição
relativamente boa quando se começaram a produzir em cativeiro.
Os efeitos negativos do inbreed não podem ser negligenciados. Isto leva-nos a um ponto muito importante
que é o de saber até que ponto deve ser tolerada a quebra na fertilidade ou da resistência às doenças.
Os criadores de Periquitos de exposição aceitam as presentes condições mas resta saber durante quanto
tempo. A criação industrial certamente não tolerará este grau de efeitos negativos continuados provocados
pelo inbreed.
Tanto quanto parece, a condição não piorou nos últimos 10 anos. Isto tem a ver com duas razões. Foi
observado que, nas famílias com inbreed de plantas e animais, depois de um crescimento inicial dos
efeitos negativos, como resultado de várias gerações de inbreed próximo, há uma tendência para a
estabilização desses mesmos efeitos negativos. A segunda razão poderá ser derivada dos criadores
terem aprendido simplesmente a lidar com os efeitos negativos do inbreed. Provavelmente, o que acontece
é uma combinação entre os dois factores.
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| BALANÇO |
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Qualquer tipo de inbreed é negativo se o seu resultado não for positivo. Nesta perspectiva, encontra-se
uma diferença decisiva entre o que acontece na natureza e o que acontece nos procedimentos na criação
em cativeiro. O processo de selecção na natureza começa simultaneamente em todas as partes do corpo,
com tudo o que é físico, metabólico, fisiológico e características comportamentais. Se alguma alteração
decisiva ocorre nalguma dessas áreas, que tem um efeito negativo no todo, o individuo sai do processo
de selecção, isto é, não é seleccionado para a reprodução e não pode passar as características negativas
para os seus descendentes.
Assim o processo de selecção assegura a força para a sobrevivência da espécie. Na criação de aves, o
Homem examina-as e faz o papel de selector. O criador selecciona determinadas características e tenta-as
mudar de acordo com seu sentido de estética. Por exemplo, até agora tem-se tolerado a diminuição na
fertilidade nos Periquitos de exposição. Poderia quase dizer-se que praticamos a selecção negativa.
Para provar isto, apresenta-se um exemplo bem conhecido. Um macho excepcionalmente bom, prova que tem
um defeito genético que torna difícil que os ovos sejam fecundados. O que faz o criador perante uma
situação destas? Coloca-o com uma após outra fêmea, com o objectivo de conseguir um filho dessa ave.
O criador fica extremamente satisfeito quando consegue obter uma cria dessa ave que é um reprodutor grande.
Na realidade, ele deveria ter pensado seriamente sobre esta matéria. Pode interpretar-se esta acção
como a criação de uma fraqueza da reprodução. Agiu-se exactamente ao contrário do que se deveria
ter agido, assegurando que um sintoma de degeneração seja passado para as crias, acelerando esse
processo através do inbreed. O criador tolera a perca de vitalidade porque a sua acção na qualidade
da suas crias pode ser melhorada e os juízes dos concursos julgam apenas as características visíveis
na altura da exposição. Os criadores experientes testarão as sua crias com o objectivo de confirmarem
o problema na reprodução, afim de se certificarem se têm o mesmo defeito, devendo, estas aves, em caso
afirmativo, ser removidas do plantel.
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| UM OUTRO EXEMPLO |
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Numa família do plantel, ocorre um número raramente elevado de doenças infecciosas. Alguns pássaros
têm um olhar doente e sofrem do anorexia, e ainda outros estão constantemente a mudar a pena. Nesta
família em particular, produzem-se as melhores aves de exposição. O criador inexperiente tentará usar
todos os produtos farmacêuticos para preparar pelo menos uma das aves para a exposição. No entanto,
o que deveria ser feito era a saída dessa família do plantel, o mais depressa possível.
Poderiam ser dados um grande número de outros exemplos não fictícios que não auguram nenhum futuro
promissor para um plantel de Periquitos. Estes exemplos mostram o dilema entre obter um bom pássaro
de exposição e o problema da sua continuidade.
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| CONCLUSÕES |
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As aves de exposição são o produto de um constante acasalamento mais ou menos próximo de aves
relacionadas, isto é, as exposições actuais sempre mostraram um grau elevado de consanguinidade.
Face a este facto, os danos causados pelo inbreed, que estão sem duvida presentes, ainda são toleráveis.
Pelo menos ainda não puseram em causa as exposições de aves. A abandono do inbreed não é praticável,
sendo, também, indispensável a utilização do crossbreeding. O problema reside não tanto na prática
do inbreed mas na selecção das aves. A maioria dos efeitos negativos do inbreed não têm influencia
nas classificações das aves nas exposições. Aparte da selecção, é necessário usar um método de
criação razoável, isto é usando o inbreed não próximo, que é necessário para o estabelecimento do
tipo de ave ideal mas desde que esses critérios tenham em conta que os espécimes sejam viáveis,
sendo este factor condição necessária para a continuidade deste tipo de aves.
No futuro desenha-se uma selecção entre os vários criadores, com o objectivo de obter bons exemplares
de exposição mas também assegurar que as mesmas aves são bons reprodutores e que têm imunidade contra
as infecções. A tendência natural será o desaparecimento daqueles que apenas se preocupam com o aspecto
físico das aves nas exposições.
Voltando ao inicio do artigo, sem inbreed não há criação de Periquitos de exposição. É da inteira
responsabilidade do criador tornar o inbreed numa bênção ou numa maldição.
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| AVISOS PARA CRIADORES INEXPERIENTES |
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ANão se preocupem com o inbreed. Sigam as seguintes regras: evitem o inbreed próximo, ou seja o
cruzamento de pais com filhos, irmãos com irmãos ou irmãos com meio irmãos; tentem acasalar as aves
de modo que o grau de parentesco seja tão afastado quanto possível. O grau de relacionamento mais
próximo de um casal deve ser primo com primo ou similar.
A certeza do relacionamento de um casal só pode ser conseguida através de um registo exacto e, claro,
anilhando todas as aves.
Seja extremamente crítico a julgar os seus pássaros e esteja ciente de todos os sinais dos efeitos
negativos do inbreed. Realize a selecção de modo a evitar tentativas desesperadas de forçar a obtenção
de crias através de aves com debilidade na reprodução. Tenha atenção o estado de saúde das aves.
Não tente conservar pássaros seriamente doentes através de ajuda veterinária ou farmacêutica com o
objectivo da sua reprodução.
Não perca o momento para fazer outcrossing quando necessário. Certifique-se que o grau de relacionamento
entre os pássaros da sua prole é tão baixo quanto possível.
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| Autor: Gerhard Stuber, criador alemão |
Tradução e adaptação: José Paulo Correia |
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