Periquitos Ondulados
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A genética dos Periquitos

 

Para cada variedade de Periquitos, cada ave possui um ou dois factores dessa mesma variedade. Daí, nalgumas delas, ouvirmos falar em factor simples ou duplo. Esta nomenclatura é normalmente usada nas variedades chamadas dominantes. Existem três grandes tipos de variedades nos Periquitos: a dominante, a recessiva e a ligada ao sexo. Neste artigo quero demonstrar que elas não são assim tão diferentes como parecem à primeira vista.

Começando pelas variedades dominantes, existem cinco possibilidades de cruzamentos, tendo em conta que existem aves para cada variedade, com factor simples (FS), com factor duplo (FD) ou que não pertencem à variedade em estudo, aqui chamadas de normais. As possibilidades são as seguintes, onde o sexo de cada uma não tem qualquer importância:

 

  Casal Expectativas
1 FD x FD 100% de aves FD
2 FD x FS
50% de aves FD
50% de aves FS
3 FD x normal 100% de aves FS
4 FS x FS
25% de aves FD
50% de aves FS
25% de aves normais
5 FS x normal
50% de aves FS
50% de aves normais

 

Esta tabela é um esquema de como se reproduzem quase todas as variedades de Periquitos, mesmo aquelas que não são dominantes. Então qual a diferença, em termos de transmissão, entre uma variedade dominante e uma recessiva? Nenhuma em termos de transmissão. Apenas uma e muito importante: as variedades dominantes com factor simples são diferentes das aves normais e as aves recessivas com um factor são visivelmente iguais às normais.

Existem as variedades recessivas com um factor que são visivelmente iguais às normais, mas que na realidade têm factor simples de uma determinada variedade. São aquelas a que vulgarmente chamamos portadores. Um Azul com factor simples é Verde mas tem um factor Azul. Visivelmente não é Azul mas geneticamente possui esse factor, apesar de não se manifestar visivelmente. A esta ave costuma chamar-se Verde portador de Azul e representa-se Verde/Azul, onde a «/» significa portador. Uma ave visivelmente Azul significa que é Azul de duplo factor. Deste modo, podemos usar a mesma tabela para sabermos como cruzarmos estas aves. Por exemplo, usando a linha 3, um malhado recessivo (FD) cruzado com uma ave normal dá origem a 100% de aves malhadas recessivas com factor simples, ou seja, a aves visivelmente normais mas que têm um factor da variedade malhado recessivo, àquilo que chamamos portadores de malhado recessivo. Nas variedades a que chamamos recessivas só as de duplo factor são visíveis.

Nas variedades chamadas dominantes, as aves de factor simples, a sua variedade é sempre visível. As aves de duplo factor são normalmente visivelmente iguais às de factor simples. Existem excepções, onde se destaca o Face Amarela tipo I, onde o duplo factor não se manifesta visivelmente, parecendo uma ave normal. Noutros casos, o factor simples produz uma ave diferente do factor duplo. É o caso das variedades Spangle e Antracite. Nos Spangles de duplo factor a ave fica totalmente amarela ou branca e no Antracite, o duplo factor é mais escuro que as aves de factor simples. Neste caso só as aves de factor duplo são consideradas verdadeiramente Antracite, já que as de factor simples são semelhantes aos cinzentos. Se pensarmos bem, entendemos assim, porque alguns criadores afirmam que o Antracite é um factor dominante e outros que é recessivo. Se tivermos como regra que quando uma ave com factor simples é visivelmente diferente de uma normal, ela é dominante e quando uma ave de factor simples é visivelmente igual a uma normal ela é recessiva, como fazemos normalmente, então o Antracite é uma variedade dominante, já que se consegue distinguir visivelmente uma ave normal das com factor simples. Como consideramos um Antracite apenas os de duplo factor, então, em termos de reprodução é completamente igual ser dominante ou recessivo, usando a tabela anterior.

Existe ainda um outro grupo de variedades em que a sua reprodução está ligada ao sexo dos seus progenitores. Aqui são incluídas variedades como o Opalino, Canela ou os Inos. São variedades em que as aves de factor simples são visivelmente iguais às normais, ou seja, aquilo a que chamamos recessivos. A principal diferença é que não existem fêmeas com factor simples. A outra característica é que o facto de a variedade pertencer ao pai ou à mãe não é indiferente aos resultados esperados nas crias. O modo de transmissão que conhecemos só é valido para as crias machos, independentemente do sexo dos pais. Por exemplo, macho Albino x fêmea normal produz o mesmo efeito nas crias macho que um macho normal x fêmea Albino. Na tabela estamos perante um cruzamento FD x normal, onde as crias macho serão todas FS, ou seja, visivelmente normais mas com um factor Ino, aquilo a que chamamos portadores de Ino. Para as crias macho, a tabela que apresento continua a ser completamente válida. Quanto às crias fêmeas, apenas o pai tem influencia no aparecimento ou não da variedade. Assim, para usarmos a mesma tabela temos de considerar que para os resultados das crias fêmeas, a mãe é normal, já que mesmo que não seja não tem qualquer influencia. Assim um macho Ino com factor simples (portador de Ino) cruzado com uma fêmea normal podemos usar na tabela a linha FS (macho) x normal, donde poderemos esperar 50% de FS e 50% normais. Como o FS não existe nas fêmeas, aparecerão 50% de fêmeas normais e 50% de fêmeas Ino ou de factor duplo. Do mesmo modo macho normal x fêmea Ino é o mesmo que macho normal x fêmea normal, e as crias fêmeas serão todas normais. Por fim, macho Ino x normal ou Ino produzem apenas fêmeas Ino, como consta na linhas 1 ou 3, já que não existem fêmeas de factor simples nesta variedade.

Concluindo, todas aves possuem um ou dois factores de uma determinada variedade. Se não possuirmos registos detalhados das nossas aves, podemos conhece-las muito mal em termos de variedades que elas possuem, já que em muitas delas, as aves com factor simples e uma de factor duplo (o Face Amarela tipo I) não se conseguem identificar visualmente. As regras de transmissão das variedades são muito simples mas a quantidade de variedades existentes faz com que as combinações sejam quase ilimitadas. Existem, no entanto, combinações que não devem ser feitas e outras que queremos obter e só com conhecimentos sobre genética e sobre as variedades das aves que possuímos podemos chegar a esses resultados.

 

Autor: José Paulo Correia

 

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