Periquitos Ondulados
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Balanço de 2007

 

Com a passagem de mais um ano aqui estou eu a escrever mais um artigo com o meu pensamento do que mais importante aconteceu em Portugal neste ano, no que diz respeito a Periquitos.

Globalmente, apraz-me dizer que houve uma evolução positiva nos Periquitos ao longo deste ano. Claro que é uma evolução e não uma mudança radical, impossível na criação destas aves. Houve, sem dúvida, um aumento do interesse pelos Periquitos. Durante este ano falou-se muito mais de Periquitos e viram-se mais Periquitos. A A. A. P. organizou um colóquio em Abril sobre Periquitos e para além das exposições mais importantes em 2006, que foram o Campeonato Internacional do Atlântico e o Campeonato Nacional, este ano houve mais exposições onde, em anos anteriores, não existiam Periquitos. Estou a falar das exposições organizadas pelo C. O. de Setúbal, pela A. A. P., e pelo C. O. Almadense. Em todas elas houve empenho dos dirigentes e expositores para que nestas exposições houvesse uma boa participação de Periquitos, já que criadores e aves continuam a escassear. Se no Internacional do Atlântico houve uma quebra de cerca de 20 aves em relação ao ano anterior, continuou a ser a exposição mais participativa e a com mais qualidade envolvendo Periquitos. No Nacional passamos de 25 para 40 aves, na exposição organizada pela A.A.P. houve cerca de 20 aves expostas contra zero no ano anterior, enquanto que Setúbal conseguiram-se expor cerca de 40 Periquitos contra também nenhum do ano anterior.

Se houve mais aves em exposições, houveram coisas que ainda não correram assim tão bem. Na exposição organizada pela A.A.P. os Periquitos foram julgados por pessoas que não são juízes destas aves. Tal facto aconteceu, não por culpa da A.A.P. mas porque esta colectividade está inserida num federação que não tem juízes de Periquitos. Se a F.P.O. não tem juízes de periquitos, existe outra federação que os tem e as coisas deverão se conduzidas de outros modo. Não está certo é que os criadores exponham as suas aves e elas sejam tratadas como aves de segunda categoria, já que não existe ninguém com competência para as julgar.

A S.P.O. continuou a tentar dinamizar a criação de Periquitos. Apoiou diversas exposições como o Internacional do Atlântico, a exposição da A.A.P. e do C.O. Almadense. Esteve também presente no Petshow da F.I.L. e na Avisan em Santarém. Neste caso julgo haver alguma falta de coordenação entre o apoio da S.P.O. e a participação efectiva dos seus sócios nestes eventos, onde só aparecem em grande número no Internacional do Atlântico.

Quanto àquela ideia de abrir as exposições a Periquitos ancestrais, o que aconteceu foi o que previ. Só na A. A. P. apareceram tais aves e não foram de nenhum novo criador. No meu entender é com exposições de aves de qualidade que se atrai o publico e que se chamam novos criadores e não enchendo as exposições de aves sem qualidade.

No âmbito geral, existe um maior numero de criadores interessados nos Periquitos. Também notei isso através de muitos pedidos para compra de aves através deste sitio.

Notei também um maior interesse em obter aves de qualidade, havendo alguns criadores nacionais que trouxeram da Alemanha e Suiça algumas aves de qualidade para fomentarem a criação de Periquitos de qualidade em Portugal. Se no ano anterior estava pessimista com esta situação, vi que houveram pessoas que fizeram um grande esforço para trazer para o nosso pais aves de qualidade. Se continuam a haver aqueles que até têm bons contactos e mais facilidades mas que querem o melhor só para eles, sem se preocuparem com os outros, existem também outros dispostos a trabalhar estas aves e a partilhar esse trabalho com aqueles que gostam verdadeiramente delas. Como em tudo, o monopólio, leva a uma degradação da competitividade entre os criadores e também a uma degradação da qualidade, já que a preocupação com a mesma deixa de ser tão necessária. A cooperação, como em tudo, é benéfica, conseguindo-se melhores resultados com menores custos. A criação de aves também envolve troca de aves, troca de conhecimentos e amizade entre os criadores, para além de uma competição sã.

No que diz respeito aos importadores comerciantes destas aves, a coisa esteve mal. No segundo semestre do ano, não se encontraram Periquitos para venda. Estamos a falar de aves de média e pouca qualidade mas que são a base para aqueles que estão a começar, já que os criadores nacionais tem poucas aves para venda. Ao contrário do aconteceu em anos anteriores, na Avisan não haviam Periquitos Ingleses. Mas continua a permitir-se a venda de Periquitos dos ancestrais com face escamosa em abundância. Continuam a existir os mesmos comerciantes sem escrúpulos que continuam a tentar enganar o publico, julgando o publico tão ignorante como eles próprios, pelo menos na língua portuguesa, com a «nova mutuação de piriquitos rosa» que vi escrito num pequeno cartaz. Continuo a dizer que esta anormalidade é conseguida através a alimentação destas aves com produtos químicos muito nocivos a estas aves e que lhes diminuem drasticamente a sua qualidade e tempo de vida.

Pessoalmente, tive algumas aves de qualidade mas a quantidade não foi quase nenhuma. Daí a minha participação em exposições ter sido muito fraca. Investi em aves de qualidade mas não será no ano seguinte que se verão os resultados. Este ano espero ter maior numero de pássaros e que a sua qualidade seja substancialmente melhor. Espero que isso aconteça em todos os criadores nacionais. Espero também que saibamos ser mais conhecedores destas aves e que haja uma maior entreajuda entre todos, isto se queremos que as coisas evoluam.

Para o ano de 2008 espero que apareçam mais criadores de Periquitos com o objectivo de se dedicarem a estas aves, que todos tenhamos um maior conhecimento acerca delas e que tentemos que elas tenham cada vez de mais qualidade e que através disso, elas sejam mais vistas, mais conhecidas e mais apreciadas.

 

Autor: José Paulo Correia

 

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